TRABALHO E EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA DA ONTOLOGIA MARXIANA
Grupo de trabalho: Trabalho, educação e luta de classes
Ana Marília de Melo Theophilo
Universidade Estadual do Ceará- UECE
Daniele Kelly Lima de Oliveira
Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA
dankel28@yahoo.com.br
Palavras-Chave: Educação. Trabalho. Ontologia marxiana.
INTRODUÇÃO
O trabalho aqui apresentado expõe, na forma de um resumo expandido à luz da Ontologia marxiana a relação entre o trabalho e educação, no intuito de compreender a categoria trabalho em sua dimensão ontológica e sua relação com a educação. Em busca da clareza desta questão a nossa análise está embasada nos estudos de teóricos que tem como fundamento metodológico a ontologia marxiana. Nesse sentido, devemos considerar a concepção de trabalho como complexo fundante do ser social.
Tendo a perspectiva da importância de estudos do aprofundamento da categoria trabalho em seu sentido ontológico, para um melhor entendimento no processo de desenvolvimento do ser social, bem como o papel que a educação adquire. Desse modo, destacamos análises de educadores voltados para categoria trabalho vista como alicerce fundamental para todo processo histórico de constituição do homem e da sociedade.
METODOLOGIA
Este trabalho foi desenvolvido a partir dos estudos e debates realizados nos encontros do grupo de estudos Gramsci e a Formação do Educador (UVA/UECE), tendo por base uma pesquisa bibliográfica na qual recorremos principalmente a pesquisadores da área como Ivo Tonet, Sérgio Lessa e Edna Bertoldo.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
O professor Sérgio Lessa, no seu livro Mundo dos homens: trabalho e ser social (2012), ao considerar o processo de trabalho em sua dimensão social afirma:
O trabalho apenas existe no interior do ser social, é uma categoria exclusiva do mundo dos homens. Isso significa que o trabalho é sempre parte de uma totalidade social. E o fato de ser "parte" do mundo dos homens não apenas não cancela como é a condição de possibilidade absolutamente necessária para que possa desdobrar seu caráter de categoria fundante do mundo dos homens (LESSA, 2012, p. 34).
Nesse contexto, observa-se que o autor considera o trabalho como atividade fundante e exclusiva do ser humano, ou seja, é através do trabalho onde ocorre a mediação do salto ontológico, de fora da natureza para o ser social. Para um melhor entendimento, é necessário compreender que, é por meio da atividade do trabalho, ao possibilitar o homem a transformação da natureza para satisfazer suas necessidades, acontece sua modificação enquanto ser genérico.
Vale ressaltar que, para Marx, o trabalho é o ato ontológico essencial do ser social por ser responsável pelo salto ontológico do ser natural para o ser social, já anteriormente mencionado, no entanto, neste contexto devemos considerar o trabalho enquanto valor - de- uso.
Desse modo, compreendemos que a partir do trabalho o homem se estabelece como indivíduos, e consequentemente constrói a sociedade, uma vez que, adquire novos saberes e habilidades. Com base na teoria marxiana Tonet (2012) assevera: "Tornar-se homem é, pois, para Marx, na sua essência, transformar o mundo e a si mesmo; criar objetos e criar-se de forma cada vez mais ampla, universal e multifacetada; tornar parte de si mesmo um conjunto cada vez maior de elementos que fazem parte do gênero humano (TONET, 2012, p. 20)".
Nesse sentido, apoiado em Marx, Tonet aponta que o ser social em sua totalidade originária do trabalho, é radicalmente histórico e social, bem como explicita que o trabalho é responsável pela complexificação do ser social, isto é, o trabalho tem a natureza essencial de produzir mais do que o necessário para aquele que o realiza.
Para uma melhor compreensão da relação entre o trabalho e a educação na dimensão ontológica, é imprescindível entender que atividade a educação, assim como outras atividades específicas, surgem com a complexificação do ser social, no intuito de suprir as necessidades e solucionar problemas. Desse modo, podemos observar que a educação é fundada pelo complexo do trabalho, bem como apresenta uma relação de dependência ontológica em relação a este. Sobre esse aspecto Bertoldo (2015) cita Lukács:
A dependência de uma esfera do ser em relação a outra está baseada no fato de que, na esfera dependente, aparecem categorias qualitativamente novas perante a esfera que lhe serve de fundamento. Essas novas categorias jamais conseguirão suprimir totalmente aquelas que predominam na base do seu ser (BERTOLDO, 2015, p. 31)
Nesta perspectiva, compreendemos que apesar do surgimento de novas categorias para fazer a frente de necessidades, ainda que sejam atuais em relação à categoria fundante, possuem uma relação de dependência daquela que as originou.
Para uma melhor compreensão da relação entre o trabalho e educação, compreendemos a necessidade de expor a forma como acontece o processo de educação entre os homens.
Na educação do homem vai ocorrer um processo de aprendizagem que, além de exigir um tempo maior para o seu aperfeiçoamento, requererá também um processo de acumulação de conhecimento em que as gerações mais velhas vão passando para as mais novas a sua bagagem cultural, os seus valores, sentimentos, entre outros. E como isto não vem pronto no indivíduo, é preciso que ele passe a adotar um comportamento ativo, ou seja, que seja capaz de produzir a sua própria existência, sob pena de não sobreviver como ser social. (BERTOLDO, 2015, p. 152)
Nesse contexto, podemos observar que o complexo da educação repassa para as gerações mais novas os valores, hábitos e conhecimentos acumulados pelas gerações mais velhas. Dessa forma, podemos considerar que a educação foi fundada pelo trabalho com a função essencial para reprodução social.
CONCLUSÕES
Por fim, evidenciamos neste resumo, na perspectiva da ontologia marxiana a compreensão do trabalho como complexo fundante do ser social, e consequentemente, nesse sentido, o torna essencial para o processo de autoconstrução humana. Com o desenvolvimento do complexo do trabalho, houve a complexificação do ser social, o que implica a necessidade do surgimento de esferas de atividade, com especificidades, como o caso da educação. Assim, podemos compreender que a educação é uma atividade fundada pelo trabalho.
REFERÊNCIAS
BERTOLDO, Maria Edna de Lima. Trabalho e educação no Brasil: da centralidade do trabalho à centralidade da política. 2ª. ed. São Paulo. Instituto Lukács, 2015.
LESSA, Sérgio. Mundo dos homens: trabalho e ser social. 3ª.ed. São Paulo. Instituto Lukács, 2012.
TONET, Ivo. Educação contra o Capital. São Paulo: Instituto Lukács, 2012.