EIXO TEMÁTICO: ESTÉTICA E FORMAÇÃO HUMANA
LUKÁCS: UMA COMPREENSÃO INTRODUTÓRIA DAS TRÊS ESFERAS ONTOLÓGICAS DO SER.
Maria Alane Lorena Silva Oliveira
Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central /FECLESC
Introdução
Toda evolução da natureza acontece em uma determinada direção: do mais simples ao mais complexo, e é através de causas e efeitos que surge a evolução, que acontece a transformação da natureza. Esta se transforma no sentido da menor para a de maior complexidade. O presente trabalho é uma parte da ontologia de Lukács em que aborda as três esferas ontológicas do ser, tais como, a esfera inorgânica, orgânica e a social. O ser inorgânico (pedra, areia etc.) é matéria inanimada, sua finalidade é transformar-se em outro, a pedra pode virar pó e vice-versa. Nessa esfera não existe reprodução. A esfera orgânica é a matéria viva (fauna, flora etc.), tem como finalidade o processo de reprodução de si mesma. O cachorro, por exemplo, está em constante processo de reprodução da sua espécie. E a esfera do ser social é a matéria humana, tem como característica a criação do novo.
Segundo Lukács (2013), para que houvesse uma evolução de uma esfera para outra, iria haver uma ruptura, um salto ontológico. O trabalho é a atividade fundante do ser social, diferenciando o homem dos demais animais que existem na natureza, consequentemente possibilitando a transformação da natureza e também sua própria transformação enquanto ser humano. Através da sua consciência, o homem tem a capacidade de pôr finalidades em determinados objetos, respeitando sua natureza, objetivando assim sua prévia-ideação como resultado. Este tipo de atividade só é possível na esfera do ser social, que se reproduz com bases na esfera orgânica e inorgânica.
Este estudo tem a finalidade de colaborar com uma breve compreensão para estudiosos que se interessam pelo assunto. Portanto, tivemos como objetivo explicar como se caracteriza as esferas ontológicas do ser, bem como apresentar suas finalidades e a importância da sua compreensão para o meio acadêmico.
Metodologia
Partimos de uma metodologia bibliográfica, com base na análise das obras "As Bases Ontológicas do Pensamento e da Atividade do Homem" e "Para uma ontologia do Ser Social II" de Georg Lukács. Tivemos como leitura de apoio o livro "Para compreender a Ontologia de Lukács" do autor Sérgio Lessa.
Discussão dos resultados
A esfera inorgânica, a esfera orgânica e a esfera do ser social são ontologicamente diferentes. Os processos sociais são diferentes dos processos naturais. O ser social tem a capacidade de colocar na consciência o que se quer objetivar, fazendo com que o homem responda á uma nova situação de maneira sempre nova. Diferente da esfera orgânica, onde sua reprodução só é possível com a ausência da consciência. Os animais, por exemplo, trabalham por instinto. Sempre que eles sentem a necessidade de algo, eles não tem a capacidade de pensar, de colocar na subjetividade para só depois objetivar. Esta esfera também se distingue da esfera inorgânica, em que o inorgânico não se reproduz. Tem a capacidade de tornar-se-outro, mas não de reprodução de si mesmo, como no exemplo dos animais.
Vale ressaltar que, apesar de ser três esferas distintas, elas estão de algum modo articuladas. Pois sem a esfera inorgânica não há vida (orgânica), e sem a vida não há ser social. Isso acontece pelo fato de ser um processo evolutivo, em que uma esfera evolui de forma mais complexa do que a anterior. Isso é de suma importância para compreender a ontologia de Lukács, uma vez que, o ser social só pode existir e se reproduzir em articulação com a natureza.
Porém, o trabalho, como uma categoria ontológica e fundante do ser social, não pode ser considerado apenas como uma transformação da natureza, pois a sociedade impõe determinadas características de caráter coletivo. É necessário ver a divisão social do trabalho fundada no valor de troca. Esse valor de troca é o que mantém a reprodução viva na sociedade do capital. Na sociedade capitalista, o trabalho é determinado por um valor mercantilizado, em que é concedido um valor de troca para ele.
Assim, torna-se perceptível a maior complexidade existente na esfera do ser social. Podendo observar a evolução da esfera inorgânica, passando pela esfera orgânica, mais complexa do que a anterior, e assim chegando à esfera social.
Considerações finais
Portanto, podemos dizer que é através da essência do processo de evolução, do nascimento de uma forma mais complexa do ser, que se pode afirmar que houve um salto. Quando o salto ontológico acontece, algo qualitativamente novo surge, ou seja, a nova esfera do ser aparece. E é dessa forma que surge o ser social, o ser humano em sociedade. Para Lukács, o salto ontológico não pode ocorrer de forma mecânica, é preciso haver um processo de dialética, que pode demorar o tempo que for. O salto ontológico não acontece de forma programada. A lentidão do processo não significa o não acontecimento do salto.
Dessa maneira, fica evidente que o indivíduo em sociedade, ao transformar a natureza, ele e a sociedade também se transformam. A construção de um objeto novo possibilita que o indivíduo adquira conhecimentos e habilidades que não possuía antes da construção. É esta construção do novo um dos traços mais marcantes do trabalho, desenvolvendo assim, o crescimento das "capacidades humanas".
Palavras-chave: Ontologia. Marxismo. Ser social.
Referências
LUKÁCS, György. Para uma ontologia do ser social II. - 1.ed. - São Paulo: Editora Boitempo, 2013.
LESSA, Sérgio. Para compreender a Ontologia de Lukács. - 4.ed. - Maceió: Coletivo Veredas, 2016.