PRÁTICA EDUCATIVA: Um complexo educacional na formação humana
Neide Naira Paz Lemos
INTRODUÇÃO
Este trabalho visa discutir sobre a prática educativa em um contexto considerado complexo para formação humana. A escolha da temática foi devido às inquietações acerca das diversas teorias educacionais como campo de análise estudado, que em especial levaram-nos ao seguinte questionamento: Quais práticas contribuem para formação humana e se de fato contribuem ou são meramente a favor da lógica do sistema capitalista. Trataremos sobre as práticas educativas com ênfase na formação humana, bem como as contribuições do processo de reflexão para ação educativa.
Em face da configuração dos processos de pesquisa, compreendemos a revisão bibliográfica na perspectiva de Lakatos e Marconi (2001, p. 183) que, ao reportarem-se sobre este tipo de pesquisa, nos orientam que
"[...] abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema estudado, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, materiais cartográficos, etc. [...] e sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto [...]".
Trata-se, portanto, de um tipo de pesquisa que orienta todo trabalho científico de forma que as produções sejam inéditas e não se desperdice tempo com um problema que já foi solucionado e os pesquisadores possam construir saberes inovadores. (LAKATOS& MARCONI 2001)
Diante do movimento dessa mediação de dispor de mecanismos teóricos e práticos educadores e pesquisadores enquanto profissionais envolvidos com o agir pedagógicos têm a tarefa de investigar o ato educativo, pois educamos para atender a apropriação de saberes ativos tanto universal como particular gerido de necessidades individuais e sociais, sem perder de vista a dimensão humanizadora da natureza da educação incorporada com elementos integrantes da própria vida dos alunos. Desse modo, a prática social põe- se, portanto como ponto de partida e o ponto de chegada da prática educativa enquanto formação humana.
PRÁTICA EDUCATIVA E FORMAÇÃO HUMANA
A prática educativa tem como papel a condução de postura reflexiva para a formação humana. Por isso, vale nos questionarmos sobre o que significa essa formação e como articulá-la com as práticas desenvolvidas no cenário educacional hoje? Entendemos que o ser humano necessita de processos formativos integrais, ou seja, uma educação que contemple aspectos sociais, afetivos, cognitivos, psicológicos, entre outros.
No contexto atual, a formação humana está relacionada a uma formação do homem integral que segundo Tonet (2016) vale dizer, indivíduos capazes de pensar com lógica, de ter autonomia moral; indivíduos que tornem cidadãos capazes de contribuir para as transformações sociais, culturais, científicas e tecnológicas, que garantam a paz, o progresso, uma vida saudável e preservação do nosso planeta. Portanto pessoas criativas, participativas e críticas, um processo permanente para ser perseguido dentro da escola e fora dela.
Compreendemos, portanto, a escola como um espaço que tem como papel primordial o desenvolvimento de processos de globalização e democratização dos conhecimentos. O espaço escolar é responsável pela formação do cidadão, apto a adequar-se ao mundo globalizado. O Banco Mundial também se utiliza do fortalecimento das alianças, de constituir estratégias como maior articulador da agenda do capital, de delegar para a sociedade a função de gestora das políticas públicas da educação retirando o provimento dos recursos por parte do Estado (Rabelo; Jimenez; Segundo, 2015).
Percebemos, portanto, que o processo de descentralização do Estado, desvia a atenção de um contexto macro para um micro, responsabilizando as instituições pelo gerenciamento dos recursos, ao mesmo tempo, que descentraliza a gestão e padroniza os currículos e os sistemas de avaliação. Para atender a essa finalidade disponibiliza aos países pobres recursos mínimos. Nos países periféricos, o sistema educacional recebe configurações preestabelecidas, por receber financiamento para alguns projetos educacionais, submete esses países às suas medidas e normas, ou seja, aos ditames que desejam para atingir seus ideais.
Conforme Mészáros (2005), a educação hoje e os processos de reprodução mais amplos estão estreitamente articulados, de modo que uma reformulação significativa da educação é inconcebível sem a correspondente transformação do quadro social no qual as práticas educacionais da sociedade devem realizar suas vitais mudanças. Temos, assim, o papel do complexo educacional no contexto estrutural do capital.
No entanto, prevalece à contradição entre o discurso e a realidade objetiva e a educação, na prática, é um poderoso instrumento ideológico das forças de controle do capital sobre a reprodução social. Tanto no âmbito interno como externo, a luta pela construção de uma sociedade emancipada não se efetiva embasada por ideias de uma classe dominante, onde vivenciamos ideologias e práticas dominantes, essas condições são adversas.
Consideramos importante uma busca para desenvolver práticas educativas que visam contribuir para construção de uma sociedade em que a formação integral seja possível, mas para isso demandam posturas que disponham de um conhecimento claro, sólido e racional, sustentado em princípios dos fins que se pretende atingir. Nessa direção Mészáros (2005 apud ANTUNES p.86, 2012) é enfático ao trazer a concepção de educação plena para toda a vida:
todas as dimensões da educação pode, ser reunidas. Dessa forma, os princípios orientadores da educação formal devem ser desatados do seu tegumento da lógica do capital, de imposições de conformidade, e em vez disso mover-se em direção a um intercâmbio ativo e efetivo com práticas educacionais mais abrangentes [...] sem um progressivo e consciente intercâmbio com processos de educação abrangente com ‘‘ a nossa própria vida", a educação formal não pode ser realizada as suas muitos necessárias aspirações emancipatórias.
Nessa perspectiva, o problema que a humanidade enfrenta hoje nos permite perceber como se faz necessário uma teoria que admita ir à raiz dos problemas. Porém as teorias que pretendem ou pretenderam apenas um aperfeiçoamento dessa forma de sociabilidade e não pensando numa transformação integral, correram os riscos de não conseguirem uma formação humana, contribuindo apenas para agravar os problemas enfrentados pela humanidade.
Para isso, uma prática educativa que se efetive de fato a contribuir para formar indivíduos comprometidos com uma sociedade em que a formação integral seja efetivada, é preciso articular atividades que incentivem a participação das pessoas na transformação da sociedade, transformando as mentes, para transformarem a realidade, assim será mobilizada forças materiais, articuladas à ação prática.
Fica clara a necessidade do conhecimento universal, mas conectado com o conhecimento particular, articulado a relação própria de ambos e o seu devir, a compreensão da unidade diversa de todo pensar radical no sentido de ir à raiz implicado consequentemente nos limites relativo da autonomia humana.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho teve como proposta a discussão sobre as práticas educativas em um contexto considerado complexo para formação humana. Reportamos às práticas que contribuem para formação humana e se de fato contribuem ou são meramente a favor da lógica do sistema capitalista, além de buscar entender o processo formativo no âmbito educacional.
Compreendemos uma educação para formação humana direcionada de forma crítica e participativa. Percebemos teorias vivenciadas nas instituições que pretenderam ou pretendem apenas contribuir para aperfeiçoar essas formas de sociabilidade e não para transformá-la integralmente. Portanto, é preciso desenvolver práticas que incentivem as pessoas a participar ativamente das lutas sociais, que sejam direcionadas às transformações dessa forma de sociabilidade, transformando as mentes, transforma-se a realidade, mas é necessária ação prática.
Palavras- Chave: Educação. Formação humana. Prática Educativa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES, Caio. A educação em Mészáros: trabalho, alienação e emancipação. Campinas, SP: Autores Associados, 2012.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos metodologia científica. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2001.
MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. São Paulo: Boitempo, 2005.
RABELO, Jackeline; JIMENEZ, Suzana; SEGUNDO, Maria das Dores Mendes (Org.). O movimento de educação para todos e a crítica marxista. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2015.
TONET, Ivo. Educação contra o capital. 3. ed. Maceió: Coletivo Veredas, 2016.